AGÁ O PIOLHO de Mark O'Rowe
AGÁ
O PIOLHO: Dois homens numa bizarra disputa de honra que, evoluindo
em espiral, termina em tragédia pessoal. Esta disputa nasce de um colchão
que é foco da propagação de uma doença de pele. Através do monólogo de
Howie Lee seguimos a perseguição e a expiação de Rookie Lee, o contaminador.
Rookie não tem só este problema. Consideravelmente endividado para com
uma terrífica figura dos gangs por ter morto os seus peixes-lutadores,
vê-se atraído a uma vingança hedionda, até que surge, vindo do nada, o
seu antigo inimigo para defender a sua honra. Uma viagem em carne viva
através de uma Dublin de pesadelo, em que os aliados e os inimigos são
intermutáveis, onde os acontecimentos mais brutais ganham uma significação
mítica.
A
sua linguagem é "sacada" do meio da rua, do bas-fond e da imundície resultante
de um meio social totalmente degradante onde a educação, as oportunidades
e o discernimento viajam em última classe. Se existe alguma dignidade
ou bondade nas personagens, esta atravessa meandros tão obscuros e tão
enterrados na natureza humana que não se percebe através de que códigos
surge à vista. Além de tudo, o que se suspeitaria poder brotar neste mundo,
seria uma certa comicidade no aparentemente ridículo das situações, uma
impressão de crueldade camuflada pelas justificações dos acontecimentos
mundanos a que dão azo estas personagens e um eminente esclarecimento
social, para quem está distante.
| Esta peça de Mark O'Rowe reescreve brilhantemente uma tradição dramático-literária reconhecível na sua capacidade de inovar sem eliminar completamente marcas de realismo, propondo um discurso em que o fragmento organiza o todo, em que a lógica dos acontecimentos parece arbitrária, e no qual a vontade individual e social de criar sentidos tenta, mesmo assim organizar universos possíveis. |
João Carneiro
Expresso |
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| um verbo convulsivo de um novo Joyce (por muito que Mark O'Rowe afirme nunca ter lido a obra deste seu ilustre patrício). |
Manuel João Gomes
Público |
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| O principal atributo de "Agá" reside na novidade, na roupagem tão diferente e tão mais interessante que rodeia todas estas questões ( desde fazer-nos entrar no subconsciente dos protagonistas, dar-nos a saber os seus pensamentos, a forma como chegam a determinadas decisões, os princípios que antecedem as atitudes, a introduzir-nos num ambiente familiar desconexo, onde os acontecimentos preponderantes são testemunhados com uma passividade e uma indiferença que assustam, e em que as relações ou os laços não significam coisa nenhuma), e na incrível capacidade de apanhar as nuances que se espalham pela rua, pela margem, pelos restos. |
Mónica Guerreiro
Blitz |
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| O espectáculo de António Simão e Gustavo Sumpta é simplesmente excelente.um teatro acima do nível a que estamos habituados. |
João Carneiro
Expresso |
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