ANTONIO TARANTINO

Nasci em Bolzano em 1938. O meu pai era oficial subalterno do exército. A minha mãe era dona de casa. Quando era jovem frequentei um instituto de arte aplicada. Não completei estudos regulares e sou portanto autodidacta. Nutri por muitos anos a minha paixão pelo desenho. De seguida dediquei-me à pintura, primeiro figurativa para chegar, enfim, a uma forma de pintura material e não simbólica.
Passados os cinquenta anos, sem saber nada de teatro, por motivos que ainda hoje não consigo definir, comecei a escrever textos teatrais. Os dois primeiros: Stabat Mater e Passione Secondo Giovanni, receberam o Prémio Riccione, talvez o prémio de escrita teatral mais importante. A seguir escrevi outros dois textos Vespro Della Beata Vergine e Lustrini. Estes quatro trabalhos para o teatro, foram todos levados à cena pelo encenador franco-tunisino Cherif e depois de serem representados durante um mês no teatro Valle di Roma, obtiveram o Prémio Ubu em 1998. Depois escrevi Materiali per Una Tragedia Tedesca, um grande fresco que se refere a factos que aconteceram na Alemanha nos anos 70, desenvolvido de um modo grotesco onde a linguagem é virada ao contrário e as personagens reduzidas ao papel de marionetas. Esta peça obteve o Prémio Riccione do 50º aniversário, 1997, e depois de ser representada no Piccolo di Milano, recebeu o Prémio UBU (o mais importante prémio teatral italiano) em 2000. A encenação deste trabalho é de Cherif.
Ainda em 2000 escrevi Stranieri para a CSS de Udine, que foi lida naquele local mas, misteriosamente, nunca representada. Até hoje, 2005, produzi outros cinco textos: La Casa di Ramallah: Encenação de Paolo Coletta, espaço cénico de Roberto Crea, movimentos coreográficos de Angelo Parisi. Intérprete: Sandra de Falco no papel de Pai, Mãe e Filha.
La Pace: uma comédia sarcástica que é desencadeada por uma Bruxa que tem como protagonistas duas das personagens políticas mais amadas e odiadas do mundo: Arafat e Sharon. Os quais, incapazes de concluir uma paz pedida por todos, são exilados e condenados a fazer uma travessia do deserto, privados de tudo, obrigados a sobreviver com os seus escassos meios. La Pace: Leitura cénica de Quelliche Restano, com Sandra de Falco, Paolo Musio, Fabrizio Parenti, direcção de Werner Wass. Roma. Casa delle Letterature, Julho de 2004.
Conversazioni: onde, um quarto de século depois, se conclui a tragédia do grupo Baader-Meinof. Nunca representada mas em vias de edição, junto com La Casa di Ramallah e La Pace, pela editora Ubulibri, Milão. A Ubulibri, devo acrescentar, publicou os meus primeiros quatro textos numa recolha com o título: Quattro Atti Profani; e Materiali per Una Tragedia Tedesca. A propósito de Materiali per Una Tragedia Tedesca, foi realizada uma importante encenação, depois da do Piccolo, em Nápoles, no teatro galleria Toledo e no âmbito do projecto Petrolio da responsabilidade de Mario Martone, pelo encenador Werner Waas. Na qual Werner Waas realizou sobre o meu texto uma das operações teatrais mais importantes que me foram dadas a assistir, onde o fascínio da encenação é dado através da clara intenção do encenador de fugir a qualquer obsoleto e abusado formalismo para chegar a uma formidável leitura-espectáculo, feita com pontuais mas bem pensadas referências. Esta encenação integral de Materiali foi distribuída em três sessões de duas horas cada uma. Nesta ocasião foram lidos-representados até bocados de texto excluídos da publicação. E agora a ficha técnica. Quellicherestano: Materiali per Una Tragedia Tedesca: com Gabriele Benedetti, Carla Chiarelli, Sandra de Falco, Fabrizio Parenti, Werner Waas, Antonio Tarantino. Nápoles, Janeiro de 2004.
Trattato di Pace: Escrito em Janeiro de 2005. Nunca representado nem publicado.
Non é che Un Piccolo Problema: um conjunto de cinco breves textos que falam do morrer e do nascer. Nunca representado nem publicado.
E La Zoppa Deve Partorire Ma il Bambino Non ne Vuole Sapere di Nascere para os Artistas Unidos ainda em 2004.

Antonio Tarantino

A Casa de Ramallah está editada na revista nº11 dos Artistas Unidos. Stabat Mater e Paixão Segundo João estão publicados no nº11 da colecção livrinhos de teatro.

Com os Artistas Unidos:

2004 OS TEATROS QUE VÊM DE ITÁLIA , leitura pública de A Casa de Ramallah dirigida por João Meireles (Festival de Almada, 2004).
2005 CONFERÊNCIA DE IMPRENSA E OUTRAS ALDRABICES
com o texto A Coxa Vai Parir Mas o Bebé Quer Lá Saber de Nascer, encenação de Jorge Silva Melo (Teatro Nacional D. Maria II).
2006PAIXÃO SEGUNDO JOÃO de Antonio Tarantino, encenação de Jorge Silva Melo (Convento das Mónicas); STABAT MATER  de Antonio Tarantino, encenação de Jorge Silva Melo ( Convento das Mónicas).