| E DEPOIS (BAL-TRAP) de Xavier Durringer |
Estreia Espaço A Capital/ Teatro Paulo Claro, 29 de Novembro de 2001 No final de um baile de província, cruzam-se dois casais: um encontra-se, o outro desfaz-se. Bulle e Muso, Lulu e Gino, uma história que começa e outra que acaba. Duas histórias paralelas a decorrerem num mesmo local. Tristeza, nostalgia, amor perdido e solidão, por isto passam as quatro personagens desta peça. É una espécie de Sonho de Uma Noite de Verão realista. As personagens, gente de escassa cultura, com poucas posibilidades de triunfar, vêem o amor como a sua única possibilidade de fugir para a frente. As personagens de Durringer não sabem bem o que pensam, às vezes chegam a reflectir sem disso se aperceberem. Não são animais, também não são professores universitários ou artistas da moda; e são contudo humanos, dos que falham. Por entre latas de cerveja vazia, os confetis caídos da festa, dois pares de jovens amam-se e destroem-se. Há um certo mal-estar e sai-se da sala com um pouco de melancolia. Estes jovens somos nós.
Durringer, com quase nada, faz-nos sentir o desespero destas personagens. Acreditamos nelas, tão humanas, tão frágeis, tão capazes de acreditar no que quer que seja. Um autor a descobrir. Um autor que gosta das pessoas. A sua prosa baseia-se num quotidiano à maneira de Prévert: um lirismo popular. E há sempre qualquer coisa de extremamente violento que torna críveis as mais incríveis situações. Durringer enfrenta duas realidades opostas e similares: um casal que esgotou os seus sentimentos e um outro que está a começar a descubrir-los. Só o espectador na sua posição privilegiada se dará conta de que ambas estão condenadas a repetir o mesmo percurso, os mesmos mecanismos, e a fracassar, finalmente. |


