| MARCADO PELO TIPEX de Antonio Onetti |
Estreia Teatro Taborda a 13 de Janeiro de 2005 Realizou-se uma conversa pública com o autor no Teatro Taborda, a 29 de Janeiro de 2005. O texto está publicado nos LIVRINHOS DE TEATRO, Volume 2 dos Artistas Unidos.
Marcado por el Típex foi escrito em 1988. Estreou em 1991 no Centro Cultural Joan Miró, em Móstoles (Madrid), com encenação de Antonio Onetti. Os Artistas Unidos realizaram uma leitura encenada a 13 de Julho de 2003, na Sala Virgílio Martinho (Festival de Almada), dirigida por João Meireles e Joana Bárcia, com António Simão (Bocanegra), Sylvie Rocha (Violeta), João Meireles (Ricky) e Isabel Muñoz Cardoso (Dália). O mundo dos perdedores, a incompreensão da sociedade em relação a quem a ouse desafiar, o gosto pelo tratamento humorístico das experiências mais dolorosas, a utilização das falas marginais, etc., são características comuns à maior parte das suas peças de Onetti. A sua galeria de personagens, extraídas da observação, mais imediata, é composta por malandros, vadios, prostitutas, delinquentes, desempregados ou drogados que vemos em qualquer rua. O que acarreta, a procura de uma linguagem popular sem precedentes, a não ser que olhemos para trás, para o folclorismo linguístico dos irmãos Quintero. Humor, irreverência, troça das instituições, e íntima compreensão dos seus deserdados caracterizam o teatro de Onetti. Gosto de encontrar o estilo da peça, não o meu estilo. Consigo ver um fio condutor numa determinada perspectiva da realidade, porque acredito nos géneros: a perspectiva sobre um tema, de repente, torna-se comédia, e a perspectiva sobre outro torna-se tragédia, ou drama, ou qualquer outra coisa. Antes deprimia-me muito quando escrevia, sempre tive como que um período a meio do trabalho, quando chegava ao clímax do que era a acção de escrever a obra, em que me deprimia por puro esgotamento dos meus recursos. Tinhas como que espremer-te para que saísse o que querias e o resultado nunca chegava a ser o que tu querias. Marcado por el típex fala disto, de como um senhor está a tentar mas não consegue porque lhe escapam os meios das mãos. O diálogo é a casca da laranja que lhe cobre a polpa. O que está por baixo. Para chegar ao diálogo julgo realmente que é preciso ter muito claro o que está por baixo. |


