| ÂNGELO DE SOUSA: TUDO O QUE SOU CAPAZ de Jorge Silva Melo |
No Panorama (Cinema São Jorge) 13 de Abril de 2010 Na Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva a 18 e 25 de Julho de 2010 No Cineclube de Ponta Delgada a 27 de Setembro de 2010 Na Casa das Histórias de Paula Rego a 2 de Outubro de 2010 No Temps d’Images (Cinema Nimas) 11 de Novembro de 2010 No Cinema City Classic Alvalade a 10 de Dezembro de 2010 Um documentário sobre Ângelo de Sousa, pintor. Ou antes um filme com Ângelo de Sousa, de tal forma estamos perto da sua colaboração? Um filme ao sabor de encontros espaçados no tempo (realizámos um primeiro encontro em Maio de 2007, a que se seguiram duas entrevistas em Setembro desse ano, duas em 10 de Maio de 2008, duas em Maio de 2009, filmámos a inauguração da exposição na Quadrado Azul em Novembro de 2009 - aproveitando apresentações públicas de obras., em que pretendemos captar a permanente fixação de um artista que insistiu na elementaridade dos meios, no abandono dos materiais nobres e dos processos complexos de criação. Ou o retrato de um homem que se quer teimosamente simples, artista que reduziu o seu trabalho às três cores primárias e ao preto e branco, inventando permanentemente novas formas ou alterando as formas em suportes que as dinamizam.
Um filme sem fim nem princípio – como o trabalho singular de Ângelo de Sousa. Ângelo de Sousa vive e trabalha no Porto desde os anos 50. Filmei em Coimbra numa exposição de escultura, em casa (no Porto), no atelier (no Porto), voltei a filmá-lo em Serralves, junto às suas esculturas, em Esmoriz na casa de praia, filmei-o, em Lisboa, falando-me das obras que tem na Colecção Berardo ou na Gulbenkian. Uma conversa ininterrupta com um homem cordial, extrovertido, divertido, irreverente, bem disposto, generoso. Ou melancólico? Inquieto, Ângelo guia-me pela sua sempre declarada alegria, permanente conquista diária das formas simples. Da mesma maneira que Angelo pintou, nos anos 70, um “catálogo de algumas formas ao alcance de todas as mãos” (obra-manifesto que se encontra na colecção Manuel de Brito em Algés), este filme organiza-se como um catálogo de todas as formas ao alcance de Angelo: como se fosse a colagem de 10 curtas-metragens (que poderiam ser vistas separadamente, em ordem inversa…ou na que propusermos, sendo um filme “mobile”…), nunca a apresentação de uma biografia ou mesmo o comentário da obra. Serão talvez ragmentos que não tencionam esgotar a personagem, antes deixá-la fechada em si, rodando sobre si, na sua imparável conquista da alegria. Nenhuma outra voz que não a do artista; nenhum comentário para além do seu; nenhuma referência a influências, escolas, perspectivas, para além das que ele faz: apenas. Ângelo, tal como ele quer. |


