| O MEDO CÓSMICO ou O DIA EM QUE BRAD PITT FICOU PARANÓICO |
Encontros de Novas Dramaturgias Contemporâneas (organizados pela Penetrarte) No São Luiz Teatro Municipal a 16 de Novembro de 2010 Estamos anos depois do documentário de Al Gore, das discussões sobre o buraco de ozono, do fracasso de Tóquio. Mas a ecologia, a reciclagem, a comida “orgânica”, a nutrição, as ONG entraram nas páginas dos jornais - e no star system. De uma forma paródica e roçando a banalidade, Lolike constrói um “filme oral”, em que recria o mundo das páginas cor-de-rosa que também aplaudem esta nova ideologia da limpeza. É uma sátira veloz, muito ácida sobre esta ideologia que se instaurou - e da maneira como o mercado a sbsorveu, para vender imagens da bondade humana e do combate contra os “maus”, Um caleidoscópio cinéfilo em que também a BD pode ser convocada. As peças de Christian Lollike contêm muitas mudanças radicais de estilo, tom e ponto de vista. São não-lineares e muitas vezes assumem a forma de discussões ou monólogos que formam um mosaico de opiniões. Caracterizam-se pela ausência de medo do que pode ou não ser posto em palco. Christian Lollike tanto pode apresentar-nos uma canção disco versando as vantagens das clínicas de suicídio assistido, como criar discussões sérias sobre se a fome em África é uma obra de arte mais bela do que os ataques às Torres Gémeas. O seu enfoque dramático é colocado nas principais questões contemporâneas, frequentemente imbuído de um certo grau de comicidade, misturado com um profundo sentido moral e seriedade. |

