| 4.48 PSICOSE de Sarah Kane |
Estreia no Espaço A Capital/ Teatro Paulo Claro - 18 de Outubro de 2001 O TEATRO COMPLETO de Sarah Kane está publicado pela Campo das Letras 4.48 Psicose é um aglomerado de fragmentos que vão sendo esculpidos e justapostos: diálogos médico/doente, monólogos que registam a depressão, listas de remédios, de verbos, de números, explosões líricas. Todo o texto é uma tentativa de descobrir uma razão para fugir às 4 e 48: o suicídio, a hora da claridade. A hora da acção. A hora da decisão.
O texto, que tem uma explícita construção poética, "queima" na síntese lírica uma procura existencial complexa e dolorosa e radiografa um progressivo alheamento do mundo, marcado por afirmações categóricas de emoções e por catálogos de psicofármacos, que dão o ritmo a uma descida ao abismo da loucura e à rejeição progressiva do próprio conceito de cura, num isolamento terrível (.). "Um texto que faz mover as palavras entre a vida e a morte. Um encenador que encontrou esse movimento. E dois actores que são o corpo do que estão a dizer. (.) Só vi uma fotografia de Sarah Kane, meio desfocada, de que já não me lembro bem. Depois de 4.48 vejo-a assim, como Gracinda Nave, de vestido branco, quase incorpórea, falando como se já não estivesse aqui. E não consigo ver outra actriz a dizer aquelas palavras. Também é isso o teatro." |


