| CAFÉ (BAR) de Spiro Scimone |
Estreia Espaço A Capital/ Teatro Paulo Claro, 3 de Janeiro de 2002 O texto, juntamente com NUNZIO e A FESTA, está publicado nos LIVRINHOS DE TEATRO, Volume 1 dos Artistas Unidos Os quatro dias cruciais da vida de dois homens banais. Escondidos nas traseiras de um cafézito, um deles sonha com a gestão do comércio, o outro anda metido com uns mafiosos. O dinheiro sujo de um deles poderia apoiar o sonho sujo do outro, mas as suas motivações são bem diferentes. Em comum têm a ignorância e uma total incapacidade de acção. Um jogo não previsível, rápido e impiedoso que oscila entre a crueldade de um Pinter, o cómico metafísico de um Beckette e a rudeza poética de um Fassbinder. Um escrita singular, poderosa, áspera e rústica. "Para nós, o problema do teatro não é não se saber falar, é antes do mais, não saber ouvir. Se não sabes ouvir, não sabes falar"
Spiro Scimone sabe perfeitamente como definir o íntimo. Com um gesto. Não aponta o coração mas une as mãos por cima da barriga como se aí estivesse uma energia secreta, ardente. "É aqui, diz no dialecto de Messina, la bucca dell´anima, a voz da alma". "Américo Silva e Miguel Borges são os dois actores e criadores do espectáculo, notáveis na construção de personagens que, com poucas palavras, nenhuma capacidade de acção e um grau de instrução mais do que rudimentar nos transportam para univrsos cujo rigor e aparente simplicidade recobrem uma dimensão difícil de descrever, mas abismal como um texto de Beckett ou um quadro de Chirico" "Uma pequena jóia. É no contraste absurdo entre a tragédia e o humor, entre a derrota e a esperança que está o génio de Scimone" As interpretações de Américo Silva e Miguel Borges são de molde a deixar-nos de olhos abertos e ouvidos atentos para não deixar escapar nada do que se passa no palco - nem uma palavra, nem um gesto." |


