| FILOCTETES de Heiner Müller |
Estreia Espaço A Capital/ Teatro Paulo Claro, 11 de Abril de 2002 A peça será brevemente publicada pelas Edições Cotovia, juntamente com outros textos de Müller. Em 1961, depois de proibida a encenação de Die Umsiedlerin oder das Leben auf dem Lande em Berlim-Leste, Heiner Müller foi expulso da Associação dos Escritores.Em 1965, Der Bau recebe duras críticas e é abandonado o projecto de encenação. Como consequência das proibições e expulsões, o trabalho de Müller que se segue abandona o presente. No lugar da análise directa das estruturas da Alemanha Oriental, aparecem metáforas míticas e históricas. É por esta altura que trabalha sobre temas da antiguidade grega (Homero, Ésquilo e Sófocles), que traduz Shakespeare, Molière, Tchekov, Pogodin e Césaire e que escreve libretos para Paul Dessau. Desta fase são Filoctetes (1958/64), Hércules (1964), Édipo Tirano (1966) e Os Horácios (1968).
"Filoctetes era para mim um assunto já muito antigo quando nele comecei a trabalhar. Li a peça de Sófocles em Sachsen, em finais dos anos 40. Desde essa altura que me ocupava. As experiências que tinha vivido há bem pouco tempo tornaram o material actual, de uma maneira muito diferente. Antes tinha pensado num seguimento diferente, num final diferente. Escrevi um poema Filoctetes,por volta de 1950, uma versão estalinista da história (...). Mais tarde, em 1953, havia já uma cena de uma peça com esse tema, e mais tarde ainda, depois de 1961, acabei de escrever tudo e acabou por ficar uma coisa completamente diferente daquela que tinha pensado." "O decurso da história só é inevitável quando o sistema não é posto em causa. A comicidade na representação provoca a discussão dos seus pressupostos. Só o palhaço põe em causa o circo. Filoctetes, Ulisses, Neoptólomo: três palhaços e gladiadores da sua visão do mundo." João Carneiro, Expresso |


