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CAFÉ (BAR) de Spiro Scimone
Os quatro dias cruciais da vida de dois homens banais. Escondidos nas traseiras de um cafézito, um deles sonha com a gestão do comércio, o outro anda metido com uns mafiosos. O dinheiro sujo de um deles poderia apoiar o sonho sujo do outro, mas as suas motivações são bem diferentes. Em comum têm a ignorância e uma total incapacidade de acção. Um jogo não previsível, rápido e impiedoso que oscila entre a crueldade de um Pinter, o cómico metafísico de um Beckette e a rudeza poética de um Fassbinder. Um escrita singular, poderosa, áspera e rústica.
Spiro Scimone
sabe perfeitamente como definir o íntimo. Com um gesto. Não aponta o coração
mas une as mãos por cima da barriga como se aí estivesse uma energia secreta,
ardente. "É aqui, diz no dialecto de Messina, la bucca dell´anima, a voz
da alma". "Américo Silva
e Miguel Borges são os dois actores e criadores do espectáculo, notáveis
na construção de personagens que, com poucas palavras, nenhuma capacidade
de acção e um grau de instrução mais do que rudimentar nos transportam
para univrsos cujo rigor e aparente simplicidade recobrem uma dimensão
difícil de descrever, mas abismal como um texto de Beckett ou um quadro
de Chirico" "Uma pequena jóia.
É no contraste absurdo entre a tragédia e o humor, entre a derrota e a
esperança que está o génio de Scimone" As interpretações
de Américo Silva e Miguel Borges são de molde a deixar-nos de olhos abertos
e ouvidos atentos para não deixar escapar nada do que se passa no palco
- nem uma palavra, nem um gesto."
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