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HÁ TANTO TEMPO de Harold Pinter
O casal mora numa quinta recuperada for a de Londres. Uma amiga chega. A maior amiga da mulher. Mas quem é ela? Uma ladra? A amante da mulher? A antiga amantedo marido? Uma escrita teatral rarefeita, incisiva sobre os meandros da memória e o passado. E a sombra da boémia de uma Londres dos anos 50 que não voltam. Um pesadelo? Um jogo?
O que é a base sempre mutável desta relação? O sonho está embebido de
realidade, a realidade e as memórias têm uma qualidade onírica e os jogos
são sonhos feitos de fragmentos da realidade. Com OLD TIMES, Pinter
rompe com o "teatro da ameaça" para inaugurar aquilo que se poderia chamar
" o teatro da recordação". Tudo se passa em sítios fechados, e a tentativa
de domínio de um por outro ser continua a ser real. Mas o presente é só
o reflexo de um passado sujeito a caução, o afrontamento de lembranças
diversas ou contraditórias numa espécie de concurso da memória tanto mais
perigoso quanto é elegante, subtil e finalmente mortal. |
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