SOU O VENTO / SONO / O HOMEM DA GUITARRA

de Jon Fosse

Tradução Pedro Porto Fernandes
Livrinhos de Teatro nº 33 Artistas Unidos / Livros Cotovia

Das peças de Jon Fosse emana uma luz muito particular que lembra a dos pintores escandinavos, Munch, por exemplo. Uma luz branca como acontece nos eclipses, mas uma luz que desenha com nitidez os contornos dos objectos e das personagens. Contradição? Não. Porque a ausência de luz corresponde a uma outra ausência: o número das personagens é sempre pequeno: são dois, três, quando muito quatro. Aumenta a concentração, agudiza-se a percepção porque um terceiro fenómeno aparece: e é a dimensão do tempo. O tempo parece ter parado no universo de Fosse. A linguagem simples e repetitiva revela a solidão profunda dos homens. A ausência de luz, o isolamento no espaço e o tempo quieto transformam as peças de Jon Fosse em instantes de grande recolhimento e essa é a finalidade confessa do autor criar momentos em que um anjo passa.
Terje Sinding

10.00

L33