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MIKADO
a partir
de textos de Álvaro Lapa, Alberto Cinza e William Burroughs
Estreia Antiga Fábrica Mundet do Seixal. (Seminário SEM DEUS NEM CHEFE 1), 3 de Outubro de 1998.
Teatro da Comuna, em Abril de 1999.
Álvaro
Lapa. Há já um tempo que ando às voltas com este nome, com os livros,
com os quadros, com as histórias, enfim com a vontade de fazer qualquer
coisa com esta obra que fui conhecendo ao acaso. Peças soltas sem cronologia
nem intenção. Discurso irónico mas certeiro, crítico e jocoso,
por vezes poético até, mais sonhador, de resto desencantado,
filosófico, pensamento veloz, mais rápido que as palavras, raciocínio
denso, alucinante. Desafio. Este espectáculo é como uma (a)mostra, uma
selecção de textos que percorre diferentes universos (político,
doméstico, social e pessoal ) num mosaico de ideias e reflexões que afasta
qualquer principio de continuidade mas que convida como numa exposição
a visitar este ou aquele assunto, voltar atrás, saltar dois e dedicar
mais tempo a um pormenor. Arbitrariamente. Um espectáculo
de música também, pois é ela que conduz, constante este passeio através
de fragmentos, de partes e que ligando cria um todo. 60 minutos. Um actor,
DJ, locutor, entertainer opera a régie como maestro ou cicerone e emite
palavras, sons, imagens soltas (à solta) para o que der e vier, para quem
as apanhar. Um homem que se dá em espectáculo sem nunca lá estar, no que
transmite. Um homem invisível.
João
Meireles
Só pela coragem de propor uma abordagem diferente do teatro, já valeu
a pena criar este formato de espectáculo. Estranho e ousado, mas interessante.
Rita
Bertrand
Semanário, Abril 1999
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