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O MEU BLACKIE de Arne Sierens
Estreia Espaço A Capital/ Teatro Paulo Claro , 6 de Setembro de 2001 O texto está publicado no volume O MEU BLACKIE E OUTRAS PEÇAS com cinco textos de Arne Sierens (Ed. Campo das Letras) O MEU BLACKIE (Mijn Blackie, 1998) fala do regresso de Mateus ao espaço,
entre o rural e o suburbano, onde passou a infância e a adolescência.
Cenas breves, frases curtas, música, bebida, amores perdidos e reencontrados.
E um cão, Blackie, que não abandona o palco. Depois de dois trabalhos
em conjunto com Alain Platel (MÃE & FILHO e BERNARDETJE) e de duas peças
de teatro narrativo (NÁPOLES e OS IRMÃOS
GEBOERS), Sierens escreveu O MEU BLACKIE que encenou sozinho, pela
primeira vez em vários anos. Voltando ao teatro da acção física e radicalizando
ainda mais a investigação da ligação entre narrativa e momentos físicos,
aqui Sierens procura a autonomização de um acontecimento físico. "A música é necessária
para dar uma ressonância às cenas que se sucedem e criar uma abertura
entre a cena que precede e a que se segue. Ela ajuda a sentir o tempo
que passa. Dá uma cor mais particular e própria a cada personagem e amplifica
os sentimentos em certos momentos" "Ao longo dos anos
Sierens tem vindo a precisar de cada vez menos linguagem para contar as
suas histórias. As suas peças têm-se tornado textos físicos que, em certos
casos, de pouco texto necessitam para exercer um forte efeito de acção
sobre o público." "As suas peças
não apresentam uma fatia da realidade, mas transcendem-na constantemente.
O que resulta é uma metáfora, que nunca perde a sua relação com o banal."
"Nesta euforia de
encontros, discussões, festas e uma espécie de vazio em que todas as personagens
temem encontrar-se (.) joga-se um teatro de uma invulgar competência,
na apropriação do texto, na construção das personagens, na ocupação do
espaço, na utilização da música e do silêncio, na invenção cénica. Joga.se
um teatro que redefine o lugar da palavra no teatro contemporâneo, o lugar
do corpo e, assim, do actor. Que redefine as relações entre a cena e o
público, entre o mundo e a obra de arte, sem nunca sair do mais estrito
terreno artístico." |
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