| A FÁBRICA DE NADA de Judith Herzberg |
A FÁBRICA DE NADA de Judith HerzbergTradução de David Bracke e Miguel Castro Caldas Com Américo Silva, António Filipe, António Simão, Carla Galvão / Inês Nogueira, Hugo Samora, João Meireles, João Miguel Rodrigues, Miguel Telmo, Mílton Lopes, Paulo Pinto, Pedro Carraca, Pedro Gil, Sérgio Grilo, Vítor Correia e os músicos Gonçalo Lopes, João Madeira, Miguel Fevereiro, Paulo Curado, Rini Luyks e Rui Faustino Figurinos Rita Lopes Alves Apoio Cenográfico Daniel Fernandes Luz Pedro Domingos Direcção musical Rui Rebelo Encenação Jorge Silva Melo Assistência de encenação Joana Bárcia e João Meireles Coordenação pedagógica Paula Bárcia Uma produção Artistas Unidos / Culturgest / Teatro Viriato / DeVIR/CAPa / Centro das Artes Casa das Mudas com o apoio da Embaixada dos Paises Baixos Estreia na Culturgest a 7 de Novembro de 2005 O texto está publicado nos LIVRINHOS DE TEATRO, Volume 13 dos Artistas Unidos. Uma fábrica de cinzeiros fecha, e os trabalhadores, não querendo ficar desempregados, resolvem continuar a trabalhar numa nova produção: nada. À volta de nada organiza-se tudo, desde a escolha do gerente da fábrica, aos furtos dos produtos e aos tribunais, com muita música cantada e tocada a mostrar por que caminhos segue esta história. Estes operários que preferem fazer nada a nada fazer inscrevem-se mais na linha do saber ver quando se vê do Alberto Caeiro e do fazer não fazendo do Lau Tsu, do que no preferia não o fazer do Bartleby. Em lugar da angústia do desaparecimento das coisas e dos seres que a palavra vazio sugere, o vazio que o patrão deixa ao fechar a fábrica permite o vazio do espaço côncavo em que tudo pode acontecer precisamente porque está vazio. Permite a boa projecção do som. E os músicos, atrás dos actores, seguem atentamente o que se vai passando com as vozes. Estes operários dizem-nos assim, a cantar: a fábrica fecha, não faz mal, nós continuamos na mesma, não nos vão ver aos molhos nos noticiários a protestar à porta da fábrica, nem vamos calados para casa perder a nossa dignidade no sofá. Não precisamos de mais nada do que estarmos uns com os outros porque força como esta só existe outra, que também temos: a música.
PARA UMA DRAMATURGIA JUVENIL Experiências recentes e estimulantes como a das ‘Connections’ no National Theatre mostram com clareza que uma nova dramaturgia é possível para um público pré-adolescente e adolescente. Não se trata apenas de criação de espectáculos para jovens, mas da escrita de peças destinadas a um público juvenil. Os Artistas Unidos, interessados no desenvolvimento das dramaturgias contemporâneas, não podem ignorar esta tendência tanto mais que têm escrito para projectos destes autores que podemos considerar nossos “cúmplices” como Jon Fosse, Judith Herzberg, David Greig, David Harrower, Finn Junker, Fausto Paravidino, Letizia Russo. Na maior parte desses casos, os textos criados são textos que possam vir a servir de base a trabalho escolar e juvenil. Mas, conscientes das fragilidades das ligações entre o teatro e a escola em Portugal, tencionam os AU criar um programa-piloto com a duração de três temporadas em que se produzirão profissionalmente 3 espectáculos para espectadores juvenis a partir de textos já escritos por autores que já trabalhámos (Judith Herzberg e Jon Fosse) e de uma primeira encomenda a jovem autor português que acompanhará as produções anteriores (Miguel Castro Caldas). A este projecto de 3 anos associam-se a Culturgest, a DeVir, a Casa das Mudas, o Teatro Viriato e o Centro Cultural de Belém. |


