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4ª 11 às 21h00 | 5ª 12 às 19h00 | 6ª 13 às 19h00 | Sáb 14 às 19h00 4ª 18 às 21h00 | 5ª 19 às 19h00 | 6ª 20 às 19h00 | Sáb 21 às 19h00 TRÊS REPRESENTAÇÕES ADICIONAIS no Teatro da Politécnica a 24, 25 e 26 de Janeiro de 2012 3ª 24 (19h), 4ª, 25 (21h), 5ª 26 (19h)
Então as orelhas lhe havia de esfregar, de esfregar e lamber, e de tudo fazer com o músculo da língua, delas extraindo a cera que - argamassa de num ninho de andorinhas e de andorinhaças - lá se depusera desde a última limpeza. Giovanni Testori, Herodíades
Este é um dos três Prantos que, no final da sua vida intensa, escreveu Giovanni Testori (1923-93). Intensa variação sobre a morte de São João Batista e do desejo recalcado de Herodíades, é obra inclassificável, como o é o seu autor que agora revelamos em Portugal. Provavelmente, trata-se de um ajuste de contas, como ele mesmo disse, com a tradição de onde vinha, e de que nunca se afastara, o catolicismo. Quer a religião ingénua que a mãe lhe terá transmitido, quer a tumultuosa reflexão que os grandes artistas do barroco (e do barroco lombardo). Testori, o autor das novelas que deram origem ao Rocco de Visconti, o tradutor de Rimbaud e de São Paulo, foi um dos maiores inventores do teatro do século XX, propondo, no final da vida, uma reconciliação dramática entre a doutrina católica e o ardor sexual, o vitupério e a caridade, à procura do lugar “daquele que traz o escândalo”. E, estupefactos, ouvimo-lo no seu combate com a linguagem, com o corpo, com a nudez da cena, com o espectáculo de feira, com a pobreza. Nas origens e em continuidade de tanta arte que se faz e se fez em Itália, sulfuroso, paradoxal, transpirado, sujo, lírico e ordinário, um teatro indispensável.
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