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SONHO
DE OUTONO de Jon Fosse
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| SONHO DE OUTONO: Um homem e uma mulher encontram-se num cemitério. Já se conheceram, já se amaram, mas só agora podem realizar o amor que sentem um pelo outro. A mulher oferece-se, o homem hesita. Conversam sobre o amor e a morte, o homem questiona o amor, teme a morte, a mulher quer viver e amar. E descobrimos este amor já se realizou e já acabou. O homem está no cemitério para o enterro da sua avó. Os pais aguardam-no e vêem com desagrado com a "outra mulher". Preferem a primeira, a mãe do filho. O homem perde o enterro da avó, tal como perde o do pai e a morte do filho e o amor das mulheres. Está sempre no lugar errado na altura errada. E a vida passa. |
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"Em miúdo, tocava música, guitarra... aos onze anos ficava a tocar seis ou sete horas seguidas. De um dia para o outro, parei. Acabou-se a guitarra. E comecei a escrever. O que me pareceu ser uma coisa mais séria... mas comecei a escrever tentando fazer uma espécie de música... poucas palavras, repetições, variações, silêncios... Quando, por exemplo, ouço uma peça em tradução, eu ouço a música, reconheço o ritmo na tradução, na maneira de representar, embora não perceba o significado das palavras, reconheço tudo."
Jon Fosse
nº2 da Artistas Unidos - Revista |
"O
que Jon Fosse escreve é ao mesmo tempo simples e profundo. Existe uma
grande inquetacão no seu estilo narrativo. Escreve sobre situacões em
que toda a gente se reconhece onde quer que viva no mundo. O seu estilo
é retórico e repetitivo e, como dramaturgo, cava fundo na alma humana."
Berit
Gullberg,
1996
"O
seu ritmo é repetitivo e tão próximo da consciência do protagonista que
se pode dizer que é um espelho de como essa personagem principal encara
o mundo. No centro estão os encontros entre personagens e estes encontros
podem ser de tal ordem que mudem as personagens. A insegurança traz às
pecas uma nova linguagem. É a língua de todos os dias em que as palavras
mais insignificantes podem surgir como sintomas de segredos que não se
conseguem articular"
Espen
Stueland,
Bø, 15.9.1999.
Um
texto espectral, uma atmosfera de felicidade permanentemente ameaçada
(.) encenado com extrema delicadeza e excelentes actores.
Eduardo
Prado Coelho
Público, 12/02/2001
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