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TORQUATO
TASSO de
Johann Wolfgang von Goethe
Drama
do demoníaco poético por excelência, no Tasso são todos tocados pelo poeta,
nenhum fica intacto, e todos, todos tocados por ele, falarão por ele,
pelo demónio dele: a Princesa, da paixão e do furor, Leonor San Vitale,
da coroa de louros transmutada em coroa de espinhos, o Príncipe, do abandono
e do desespero, António da poesia, a que não tem acesso, do anseio pelo
impossível que não o ronda, a ele. É como se Goethe nos tivesse dado a
presenciar a amálgama alquímica, elementar, o enigma sem fim que era o
seu próprio génio. É esse enigma que, pela boca de um outro, onde misturou
a sua saliva e soprou o seu hálito, engendra a suspensão contínua que
atravessa todo o poema, e que fica oscilando nos seus últimos versos,
ardentes.
[...]
Não, não é o drama do amor, é o drama do poeta coroado, o drama do antecessor
de todos os poetas modernos, malditos, em perigo, e não apenas pelas exigências
demoníacas, posto em perigo pelos negócios dos poderosos, presa do seu
próprio furor, atraído pelo caos, irmão de Goethe que, apesar de "saber
cuidar um pouco melhor das suas coisas", experimentou constantemente o
perigo do desabamento da exaustão emocional sobre o seu anseio infinito
de harmonia.
Maria
Filomena Molder
A
energia de Miguel Borges, posta ao serviço da poesia de Goethe e do seu
manifesto a favor de uma arte sem Deus nem Chefe. Um poema titânico, gritado
por um actor no tom de quem intenta roubar o fogo dos deuses.
Manuel
João Gomes
Público, Outubro 1999
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